segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Uma conquista em razão de nossos direitos

 Extraido do site Passa Palavra

Em São Paulo, mais de 4 mil pessoas se reuniram contra o aumento e fizeram o poder legislativo se comprometer com uma audiência pública. Por Passa Palavra


O clima no Teatro Municipal no dia 27/01 não estava muito bom, eram 17h30: o número de pessoas na manifestação parecia que ia ser bem menor que o da anterior, organizações oportunistas tinham levado incontáveis bandeiras e fomos informados que, depois do fim do ato do dia 20/01, um manifestante morreu ao tentar fugir de um grupo de Skinheads.
Neste ato pretendíamos demonstrar nossa força e conseguir fazer o trajeto que tinha sido impedido pela Polícia Militar, no dia 13/01, queríamos chegar até a Câmara e exigir um posicionamento do poder legislativo sobre o aumento.
Cresceu!Cresceu!
Quando começamos a andar, após um minuto de silêncio em homenagem ao companheiro, algo de diferente aconteceu. O número de manifestantes cresceu, mas cresceu muito, e quando nos demos conta a Polícia Militar já nos informava que havia 4 mil pessoas no ato.
A maior parte dos manifestantes aderiu ao ato quando caminhávamos pelas ruas de pedestres do centro. Podemos explicar isto tanto pelo forte apelo popular da reivindicação quanto pelo horário de saída do trabalho. Ainda é importante destacar que um ato sem carro de som permite o diálogo direto dos manifestantes com os pedestres, permitindo a estes agregarem-se à manifestação, tomando ela para si.
Organizações brigam por suas bandeirasOrganizações brigam por suas bandeiras
Infelizmente nem todos se adaptam bem a este tipo de ato, diversas organizações priorizam levar bandeiras de autopropaganda ao invés de faixas contra o aumento, como era o caso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e do Partido da Causa Operária (PCO), mas sabemos que com o crescimento da luta e com o destaque que ela vem ganhando o número de oportunistas tende a crescer. Algumas organizações mais sinceras admitiram o ridículo da guerra de bandeiras na frente do ato.
Quando chegamos ao cruzamento mais famoso de São Paulo (Avenida Ipiranga com a Avenida São João), trancamos ele por 15 minutos e queimamos um boneco do ilustríssimo prefeito, Gilberto Kassab. Seguimos pela Av. Ipiranga e mostramos que a repressão do dia 13/01 não nos assustou e que faríamos desta vez o trajeto planejado. Quando a manifestação chegou na Avenida da Consolação com a São Luiz, trancamos o cruzamento, e foi realizado um jogo de futebol contra o aumento, no qual os manifestantes enfrentaram e ganharam dos políticos.
Queima Kassab!Queima Kassab!
Ao chegarmos com mais de 4 mil pessoas em frente a Câmara dos Vereadores, o presidente da casa, José Police Neto desceu em meio a multidão para a receber a carta do Movimento Passe Livre, que exigia a convocação de uma audiência pública. Ele se comprometeu a chamar a audiência pública com o Secretário de Transportes Marcelo Branco, porém disse não garantir a presença do Secretário. Na quarta-feira, 02/02, ocorrerá a primeira sessão da Câmara, o MPL está chamando um ato às 15 horas para exigir que a audiência seja marcada e o Secretário seja convocado a comparecer.
Na Câmara dos VereadoresNa Câmara dos Vereadores
O crescente da luta contra o aumento explica seu reconhecimento institucional, não se pode ignorar mais de 4 mil pessoas exigindo que o aumento seja revogado. A força desta mobilização de rua levará o Poder Executivo a explicar suas razões para o aumento, deixando claro que não encaram o transporte como um direito e sendo obrigados a debater com as falas dos manifestantes. Temos que destacar que a disputa instaurada no Legislativo nos abre espaço para uma maior pressão em cima dos Vereadores.
Pudemos ver no ato desta semana a crescente presença de entidades comunitárias, além das já presentes nas manifestações passadas como as do Campo Limpo e da Belmira Marin, vimos pessoas de Parelheiros, Grajaú, M’Boi Mirim,  Capela do Socorro, Jardim São Luiz, entre outras. Isto indica uma expansão da luta e aponta para a perspectiva de atos regionais. Até agora a luta contra o aumento tem conseguido manter seu crescimento no período de férias, o que abre excelentes caminhos para a volta às aulas, uma vez que, com o trabalho de base do MPL e com os secundaristas já envolvidos na luta, é possível ampliar ainda mais a mobilização.
Capela do Socorro e Jardim São Luiz na luta contra o aumentoCapela do Socorro e Jardim São Luiz na luta contra o aumento
O Comitê criado para organizar os atos contra o aumento convocou para quinta-feira, dia 03/02, o quarto ato após o aumento, a concentração começará às 17h no vão livre do MASP.
O ato, que começara com um enterro, terminou com uma celebração e com a promessa, até agora cumprida, de que “Amanhã vai ser Maior!”.
Fotos: Douglas Belome

Leia aqui a carta do MPL ao poder legislativo da cidade de São Paulo entregue no dia 29 de janeiro de 2011.

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